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Resenhas

O Direito à fala, Insular, 127 pp., 2002

01/05/2013 - Silva, Fábio Lopes et Moura, Heronides (orgs.)

A obra é uma coletânea de artigos de autores da UFSC, UNICAMP, USP e UFRGS, debruçados sobre o jogo normativo da lingüística e seu emprego no cotidiano: “Esse é um livro de intervenção, que pretende colocar a pesquisa lingüística a serviço de um dos direitos do cidadão, o direito à fala, à expressão de cada grupo social, em sua especificidade e substâncias próprias”, o que leva à desmistificação da pureza da língua. Temas como os estrangeirismos, a palavra a serviço da mídia e as afasias são igualmente dissecados. A pluralidade exercitada em toda extensão territorial do Brasil por migrantes e gente da terra, inclusive indígenas, é perscrutada pelos autores, lançando-se à análise do patológico e do preconceito lingüístico ao longo do tempo. Contrariando a perseguida gramática ecológica, José Luiz Fiorin nos lembra que “um bom falante da língua é o que sabe usar a variante adequada à situação de comunicação”. Assim, fica sempre em primeiro plano a compreensão daquilo que se pretende transmitir, e em segundo plano concordâncias e regências. Certo e errado são abandonados, pois a preponderância da língua falada pela gente simples faz o idioma, cuja força é infinitamente maior que a da ortodoxia dos vocábulos da República.

 

Sumário

Introdução

Fábio Lopes da Silva (UFSC) e Heronildes Maurílio de Melo Moura (UFSC)

A prosa de Lima Barreto: o que quer essa língua?

Cláudio Cruz (UFSC)

Os Aldrovandos Cantagalos e o preconceito lingüístico

José Luiz Fiorin (UFSC)

Estrangeirismos: empréstimo ou ameaça?

Pedro M. Garcez (UFRGS) e Ana M. S. Zilles (UFRGS)

Dois casos de preconceito lingüístico na mídia

Fábio Luiz Lopes da Silva (UFSC)

As afasias entre o normal e o patológico: da questão (neuro)lingüística à questão social

Edwiges Maria Morato (UNICAMP)

A língua popular tem razões que os gramáticos desconhecem

Heronides Maurílio de Melo Moura (UFSC)

Brasileiro fala português: monolingüismo e preconceito lingüístico

Gilvan Muller de Oliveira (UFSC)

Sobre o porquê de tanto ódio contra a linguagem “politicamente correta”

Kanavillil Rajagopalan (UNICAMP)

O uso de corpora na elaboração de trabalhos de referência: uma vacina contra o preconceito

Marco Rocha (UFSC) e Juliana Sell do Vale Pereira (UFSC)

Língua estrangeira: direito ou priivilégio?

Josalba Ramalho Vieira (UFSC) e Heronides Maurílio de Melo Moura (UFSC)

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