Imagem Ilustrativa
_

Resenhas

Um Psicanalista no Divã, JZE, 150 pp., 2003

01/06/2008 - Juan-David Nasio

O autor estrutura sua obra em cinco capítulos em forma de entrevista, realizada por Xavier Diaz, com sua primeira edição publicada em 2002 pela Éditions Payot, de Paris. Com estilo simples, Nasio trata das questões cotidianas da clínica psicanalítica na primeira parte do livro, falando com desenvoltura sobre como trabalha e o que é ser psicanalista. Responde logo à primeira página: “No fundo, ser psicanalista é nunca ter deixado o divã”, instrumento que é coadjuvante na escuta. É no atravessamento do discurso que aparece a demanda do sujeito e o sofrimento que busca exprimir, locus onde o inconsciente costuma insistentemente aparecer. Esclarece ao público laico as diferenças entre os profissionais psi “à disposição” para tratar dos infortúnios da vida, bem como explicita - tanto quanto possível, as vicissitudes do tratamento psicanalítico que é, há muito, criticado por ser longo, caro e doloroso. Oferece, por outro lado, a transferência como suporte para atravessar esse percurso, com interessante articulação neste sentido. Na segunda parte adentra em uma questão considerada controversa pela sociedade, mas em cena na diária prática dos consultórios: a angústia da homossexualidade. Discorre sobre o assunto com leveza levando ao leitor possibilidades de pensar a problemática de gênero, no mínimo, por dois ângulos. Como não poderia deixar de ser, o amor conjugal e a sua dinâmica são perscrutados por suas diversas facetas (impotência, admiração, crises, rituais, papéis, ciúme, virgindade, abandono), lembrando o que muitas vezes imaginamos estar imunes: “No coração do amor jaz o sofrimento”. A terceira parte é reservada ao ódio e à amizade. Procura desmistificar a existência de um mundo sem violência (interno e externo), assim como a existência de sentimentos considerados negativos: “o ódio deve ser constantemente destilado para evitar que, por muito tempo confinado no inconsciente, estoure furiosamente”. Assim, constrói uma interface entre amor e ódio, diagnosticada a partir do mais simples cotidiano do homem. O que esperar de uma amizade, como eleger os amigos e a tipificação dos laços formadores da amizade são igualmente pensados. A quarta parte é dedicada às crianças. O sofrimento próprio da infância no estabelecimento de uma comunicação eficaz ao longo de seu desenvolvimento (como conversar com elas), a apreensão da noção de ganho e perda e a força da palavra são trabalhados didaticamente para subsidiar os motivos que levam os pais a conduzir seu filho ao psicanalista. Lembra que “a força de uma palavra não reside no sentido por ela veiculado mas na emoção que a anima; nunca é o verbo que opera, mas a presença que dele emana”. O último capítulo é reservado à trajetória do autor, sua formação e encontro com a Psicanálise. Aproveita para falar do lugar da Psicanálise frente à Ciência e ao futuro, e ainda dá uma dica aos que se encontram no meio do caminho: “quero dizer que, para ter uma chance de ser bem-sucedido é preciso concentrar toda sua energia sobre a ação presente sem pensar no sucesso eventual”. Aos que se aventuram, boa leitura!

Sumário

 

Como trabalha um psicanalista?

Os mergulhadores

Joel, ou meu medo de descobrir uma psicose

Como escolher o seu analista?

Aimance, ou a necessidade de dependência

 

O amor e o prazer sexual

A solidão do homossexual, o “amargo deleite” dos homossexuais

O homem impotente, a mulher abandonada; o ciúme

O amor no casal

Toda mulher é virgem

 

O ódio e a amizade

O ódio como exercício de todos os dias

Um amigo é aquele com quem me sinto feliz de ser eu mesmo

 

A sós com a criança

Como falar a verdade com seus filhos?

As 7 crises de crecimento que fazem uma criança se desenvolver

Flávio, Luísa...: o primeiro encontro da criança com seu psicanalista

 

Elogio do esgotamento

O charme de Albertina

Batalhem!

 

 

< voltar