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Resenhas

La clinica del Psicoanalisis - Etica y Tecnica, Atuel, 159 pp., 2011

31/03/2017 - Gabriel Lombardi

O autor reúne nesta obra algumas de suas aulas ministradas na disciplina de Clínica de Adultos, na faculdade de Psicología da Universidad de Buenos Aires. Um de seus apontamentos iniciais diz respeito a uma das premissas da Clínica: “no hay tal clínica [psicoanalítica] sin el acto del analista que la sostenga” (p. 13). É à dimensão oculta do desejo, como diz Lombardi, que a Psicanálise se dedica. Estabelecer um diferencial entre Psicanálise e qualquer forma de terapia é uma das indagações freqüentes que se repetem por ai, e é então que explica que as terapias têm um ponto em comum: buscar restabelecer um estado anterior, o estado da felicidade neurótica. Já a Psicanálise parte por outra via, levando à aptidão para o ato, o ato que realiza do desejo, como explicava Lacan no final do Seminário 7. Ao dizer que o neurótico é um inválido para o ato, reforça a idéia de que a Psicanálise conduz o sujeito até a porta, restando a ele a decisão de atravessá-la. Assim, “es problemático decir que el psicoanálisis es terapeutico: no apunta a reconstituir ningún estado anterior del sujeto, sino a crear otro nuevo” (p. 17). Quando aborda a regra fundamental da clínica freudiana, lembra ao leitor que o analista deve ocupar-se daquilo que faz obstáculos, porque é justamente aí onde está a solução: “nada sucede en el análisis que no pase por la función de la palabra, todo se articula a través de ella” (p. 29), e aí o uso do divã é providencial, porque age como um facilitador da expulsão do eu do consultório. Assim, o analista não escuta propriamente o que o analisando diz (desde o senso comum), mas aquilo que ele não diz: “no escuchamos al paciente para entender el sentido comum de su relato, ni los significados a los que remiten los significantes” (pp. 36/37). No segundo capítulo fala do sintoma e da transferência, essa que está no princípio da Psicanálise, logo após o abandono da prática da sugestão e da hipnose. O sintoma é sofrimento, é uma satisfação substitutiva, nos recorda. O que “motiva” então o paciente a situar-se de maneira diferente frente a ele? Freud responde em “A iniciação do tratamento” que o motor mais direto é o padecimento do paciente e o desejo que ai se engendra. Ainda tratando da associação livre, aborda a repetição para retomar a indagação freudiana: o que repete o analisante? “Repite sus inhibiciones, sus actitudes inviables, sus rasgos patológicos de carácter. Pero lo fundametnal es que durante el tratamiento repite todos sus sintomas, los repite como queja” (p. 95). Ou seja, o gozo. A transferência atua de maneira a induzir um efeito de atenuação da repetição do gozo, nos diz Lombardi. No capítulo sobre o amor de transferência, lembra o percurso que se desenvolve em uma análise: “La historia que se reconstruye es una cadena rota, o una red con agujeros en su trama, perforada por acontecimientos insasimilables en la textura simbólica de la memoria inconsciente” (p. 115) – há algo que não tem como ser readmitido. No capítulo final, retoma o objetivo ético de uma análise: a retificação da posição do sujeito frente a seu desejo.

 

Índice

 

I – La regla fundamental y la clínica freudiana

II – El síntoma y la transferencia

III – Asociación libre y repetición

IV – El amor de transferencia

V – La demanda y el deseo: la lógica de la sopa

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