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Resenhas

Ces médicaments qui nous rendent malades, Confort de Lecture, 2009, 370 pp.

01/05/2012 - Sauveur Boukris

Esta é mais uma obra dentre tantas outras que circulam pela Europa desde a década de 1990, mostrando o outro lado da medicalização: o da indústria e suas estratégias. O texto é contundente ao trazer afirmações que mostram a fragilidade, o desconhecimento e a postura passiva dos consumidores, que neste caso levam o nome de “paciente”. Com duras críticas, Boukris, médico francês, informa a seus leitores que a indústria farmacêutica estacionou há quase 30 anos, trazendo desde então pouquíssimas ou nenhuma novidade terapêutica - o que vimos são novos trajes para antigas substâncias (77% é pura repetição, o que o autor chama de médicament me too – p. 307). Repleto de muitos números, dizia ainda em 2009, que os franceses consumiam de 2 a 6 vezes mais medicamentos que os outros países, mantendo por muitos anos esse recorde (em 2006 cada francês gastou, em média, 2.470 euros com medicação). Esta obra investigativa aborda várias classes de medicamentos, indo desde anti-hipertensivos e analgésicos até os psicotrópicos de grande “eficácia”. Um capítulo especial é dedicado à iatrogenia: “segundo os especialistas, os medicamentos seriam responsáveis, a cada ano, por mais de 100 mil mortes nos Estados Unidos e 10 mil no Reino Unido. Um estudo americano publicado em 1990 estimava que 5 a 20% das admissões hospitalares ocorriam por efeitos indesejáveis de medicamentos” (minha tradução, p. 49). Ainda: “Na França, se estima 8 a 13 mil mortes por ano dadas ao uso de  medicamentos” (minha tradução, p. 51). Os efeitos colaterais, previsíveis e imprevisíveis – conhecidos e desconhecidos, e sua repercussão para o paciente, a família e o meio social também são analisados. Os critérios de padronização do uso de novas drogas e também aqueles utilizados pelos órgãos reguladores são duramente criticados: “Em 2003, a Agência inglesa de medicamentos estimou que 30 a 40 mil crianças e adolescentes foram tratados com anti-depressivos enquanto nenhum desses medicamentos tivesse obtido autorização para essa parcela da população” (minha tradução, p. 160). E assim, vai exemplificando com diversos países e diferentes drogas em diferentes épocas. Atenção especial é também dedicada ao grande volume financeiro de marketing, que fica muito aquém dos investimentos em pesquisa: “segundo o sindicato americano da indústria farmacêutica (PHRMA), 22% dos empregados estão no departamento de pesquisa e desenvolvimento, contra 39% alocados no departamento de marketing” (minha tradução, p. 258). Enquanto na França livros como este são vendidos em pequenas e grandes livrarias e até em postos de gasolina, no Brasil não há nenhum questionamento de peso a esse respeito, o que revela, no mínimo, irrestrita aceitação ao apelo mercadológico, enquanto a terapêutica preconizada pela Farmacologia passa muito distante disso.

 

SUMÁRIO

Préface

Introduction

1.   Médicaments trop consommés et trop coûteux

2.   Les accidents iatrogéniques

3.   Les psychotropes et leurs effets secondaires

4.   Attention aux associations de médicaments

5.   Les effets secondaires des médicaments dans la vie courante

6.   Qui contrôle et autorise les médicaments? Par quels moyens?

7.   Les grandes affaires médiatiques

8.   Médecins sous influence?

9.   L´innovation médicale: tout nouveau, tout beau?

10.               Développer la pharmacovigilance: savoir pour agir

11.               La médicine marketing

12.               Des contre-pouvoirs s´organisent

13.               Tous responsables!

 

Références bibliographiques

 

 

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