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Resenhas

Psicoanįlisis y Salud Mental, Tres Haches, 159 pp., 2000

01/04/2016 - Eric Laurent

O atual Presidente da Associação Mundial de Psicanálise - AMP, Eric Laurent, traz na contracapa dessa obra uma instigante constatação: a Psicanálise e a Saúde Mental mantiveram e mantém tensas relações. Por quê? É possível pensar ditas tensões pela concepção de sintoma e pela responsabilidade que a ética enseja como marca no singular. O autor recorda que, ainda na década de 1930, a Psicanálise estendeu seus olhos sobre a psicose, e provavelmente Melanie Klein tenha sido uma das pioneiras a cruzar essa fronteira (Jacques Lacan, nessa mesma época, apresentava sua tese sobre a paranóia). Fugindo de uma epistemologia dura da saúde mental, evoca uma passagem freudiana: “El pobre hombre tomo el tren sin billete; entonces, en el primer control, el revisor le pide el billete. Como no lo tiene, le manda bajarse del tren. El sale y vuelve a entrar por otra puerta. El revisor le manda bajar otra vez, pero luego vuelve a subir. La tercera vez, el revisor le pega; entra de nuevo y el revisor vuelve a pegarle, y así le va pegando más y más. Al final, el pobre judío se encuentra con un conocido en el pasillo del tren, que le pregunta: ¿Adónde vas? Y él responde: Voy a tomar las aguas, si mi salud me lo permite” (pp. 34/35). Pensar a saúde mental está mais próximo de nossos olhos do que imaginamos, e muitas vezes dispensa a construção de conceitos academicamente elaborados. Pensar a saúde mental é pensar a relação com o outro, sem esquecer que o sintoma se edifica sobre este ponto. Portanto, antes de medicar um paciente se está medicando o modo como faz relação. Não por acaso, e em meio ao contexto da farmacologia, também recorda a pesquisa realizada pelo francês Edouard Zarifian para falar sobre a ação dos placebos, que alcança a casa de significativos 60% de “eficácia” em casos do que chama de depressões ligeiras, agitação psicomotriz e estados ansiosos. Assim, o placebo é a intervenção do outro camuflado em uma pastilha qualquer - uma desarticulação proposital de sentido, e por que não, de um ideal: o medicamento cura! Nesse sentido, Laurent nos diz que “el psicoanalista puede ser siempre convocado para presentar su discurso antiideal” (p. 124). Uma vez mais, a política de saúde pública é mantida sobre um ideal de ordem pública, como afirma Miller, mantendo-se distante da política do silêncio singular, que tateia dia a dia, como o pobre judeu, maneiras de se manter em relação.

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