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Resenhas

Sobre a morte e o morrer, Martins Fontes, 299 p., 1994

01/02/2009 - Elisabeth Kübler-Ross

A obra lançada nos Estados Unidos em 1969 tem sido empregada desde então por grupos de apoio, universidades, pacientes, parentes e amigos de pacientes com câncer, terminais ou não. Sem o propósito de ensinar a partir de sua experiência, mas de aprender a cada dia com os pacientes, Kübler-Ross tornou texto as experiências dolorosas e felizes que vivenciou. Lidando com um tema espinhoso, sabia que a angústia que surge com a notícia da morte de um ente querido diz respeito àquele que ficou, despertando assim, mais uma vez, o inevitável: a própria morte. É corajosa e contundente: “Há muito sumiu a crença de que o sofrimento aqui na terra será recompensado no céu. O sofrimento perdeu sua razão de ser. (...) há menos pessoas que acreditam realmente na vida após a morte, o que talvez seja por si só uma negação de nossa mortalidade” (p. 27). A crença no pós-morte é com certeza uma variável importante para lidar com o fim, pois dá alento ou cria um enfrentamento ainda mais duro.  Eis alguns ensinamentos que constato a partir de minha leitura: o amparo solicitado pelo paciente deve ser dado naquele momento, porque amanhã ou daqui a algumas horas pode ser tarde; dizer o tempo de vida restante após um diagnóstico pode ser muito ruim, porque nesses casos a exceção constitui a regra; a morte pode se constituir no momento mais digno na vida de uma pessoa; não insista em lembrar Deus, isso pode só piorar as coisas; o tempo que decorrer após um diagnóstico mortal pode ser a última chance para que o paciente faça tudo aquilo que sempre teve medo e ao mesmo tempo quis – o relato daqueles que se empenham nesse sentido é simplesmente de felicidade; um paciente terminal pode ter pouco a dizer, mas requer uma pronta, precisa e enorme audição; “não está na natureza humana aceitar a morte sem deixar uma porta aberta para uma esperança qualquer” (p. 130); não cometa a mediocridade de dizer ao paciente que vai ficar bom logo, é possível que tudo que queira seja encontrar alguém que tenha a coragem de falar da morte abertamente; “a culpa talvez seja a companheira mais dolorosa da morte” (p. 175); “o sono é o único alívio, cada despertar é uma angústia, angústia pura” (.189); atenção especial às crianças: a morte de alguém pode ser encarada por elas como culpa sua; não conte com toda compreensão da equipe médica – a eles também é difícil encarar a morte. Respeite um eventual último desejo: se esse for morrer no alto de uma colina com uma brisa na face, proporcione-o com dignidade, pois os desejos daqueles que ficam, nesse momento, não tem espaço.

 

Sumário

 

I Sobre o temor da morte

II Atitudes diante da morte e do morrer

III Primeiro estágio: negação e isolamento

IV Segundo estágio: a raiva

V Terceiro estágio: a barganha

VI Quarto estágio: depressão

VII Quinto estágio: aceitação

VIII Esperança

IX A família do paciente

X Algumas entrevistas com pacientes em fase terminal

XI Reações ao seminário sobre a morte e o morrer

XII Terapia com os doentes em fase terminal

Bibliografia

 

 

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