Imagem Ilustrativa
_

Resenhas

A felicidade, desesperadamente, Martins Fontes, 139 pp., 2005.

01/08/2008 - André Comte-Sponville

Dedicado a falar da felicidade e da sua relação com a filosofia, Comte-Sponville retorna a esta página para falar de sua percepção sobre a felicidade e, portanto, da infelicidade que ronda o homem.  Traz Montaigne, Epicuro, Spinoza, Aristóteles, Platão e Kant, entre tantos outros, procurando se colocar no texto independente das correntes filosóficas. Falando da alegria das crianças no Natal, do brinquedo que ganham e que gostariam de ganhar, dá um grande recado: "(...) as crianças esquecem de vez em quando que esse brinquedo lhes falta; então acontece-lhes às vezes serem felizes por inadvertência" (p. 30). Desmonta a costumeira e esperançosa chegada da felicidade, tecendo-a como inalcansável a partir do momento que impomos condições (se eu tivesse ..., ai sim seria feliz!) – o que se ganha, na concepção de Shopenhauer, é só sofrimento. Talvez se possa pensar, com o autor, que a esperança é o caminho que se pode tomar sempre oposto à felicidade. Não posso deixar de retomar uma lembrança que remonta a Freud e Goethe: "não há nada mais difícil de suportar do que uma sucessão ininterrupta de três dias lindos ... Talvez para todos os que só sabem viver de esperança: três lindos dias que se seguem é difícil porque não deixam mais grande coisa a esperar ..." (pp. 64/65). Se a esperança e a felicidade plena (a do tudo sempre satisfeito) não respondem à pergunta de como ser feliz, talvez se possa experimentar o atravessamento de uma infelicidade suportável. Deixo ao leitor o que acredito ter sido um feliz trabalho de síntese sobre a felicidade: "A felicidade não é um absoluto, é um processo, um movimento, um equilíbrio, só que instável (somos mais ou menos felizes), uma vitória, só que frágil, sempre a ser defendida, sempre a ser continuada ou recomeçada". (p. 88).

 

Sumário

 

A felicidade, desesperadamente                                                                          

I – A felicidade malograda, ou as armadilhas da esperança                        

II – Crítica da esperança, ou a felicidade em ato                                                             

III – A felicidade desesperadamente: uma sabedoria do desespero, da felicidade e do amor                                                                                 

Perguntas a André Comte-Sponville

 

< voltar