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Resenhas

As Cidades de Freud, JZE, 219 pp., 2005

01/06/2012 - Giancarlo Ricci

Estruturado em seis capítulos, o italiano Giancarlo Ricci visita novamente 40 cidades vivenciadas de alguma maneira por Freud. A lembrança feita por Carlo Sini no prefácio da obra parece dar o tom das andanças: apesar de assíduas, havia um certo sofrimento em viajar. Faz desde o começo interessantes articulações entre o ato de viajar, o itinerário freudiano e a ética psicanalítica, sem esquecer da primeira teoria do aparelho psíquico, que tratava das regiões, sem muros e sem moradia fixa. (vê-se assim que o conceito de pulsão estava presente desde os primórdios como aquilo que está na região fronteiriça). Freud nasceu “em uma cidade de fronteira e chega a Viena, situada ao longo da fronteira da Europa Ocidental; em seguida, por motivos de estudo, estabelece-se em Trieste e sucessivamente em Berlim, elas também cidades de fronteira”. Pergunta-se: “é casual?” (p. 18). Além de explorar historicamente o desenvolvimento da Psicanálise, há sempre, de modo recorrente, o destaque da presença da angústia em Freud frente aos afazeres no exílio, os possíveis significados dos deslocamentos contínuos e as desconfortáveis especulações de novas terras e teorias. A incessante busca, metaforizada nas dezenas de viagens, lembram o dito de Goethe de que “nunca se vai tão longe como quando não se sabe onde se está indo”.

 

Sumário

 

Prefácio

Introdução

Porta Orientis

            Freiberg, 1856. O mito da origem

            Breslávia, 1858. “As almas que queimam no inferno”

            Leipzig, 1859. “A minha fobia de viagens”

            Viena, 1860. “A obra-prima do tecelão”

Perambulando

            Manchester, 1875. “Eu vi o mar”

            Trieste, 1876. O mito da pesquisa

            Hamburgo, 1882. “Se soubesses como sou louco”

            Dresden, 1883. “Não tenho medo daqueles canalhas”

            Paris, 1885. O estilo da formação

            Berlim, 1886. A hora marcada, o encontro, a troca

            Nancy, 1889. Diante das colunas de Hércules

O Mediterrâneo

            Bellevue, 1895. “Por ora as perspectivas são mínimas”

            Veneza, 1895. A água e a escrita

            Praga, 1896. Depois de Babel

            Karlsbad, 1897. “Se a nossa constituição resistir”

            Ragusa, 1898. O inconsciente e a justiça

            Milão, 1898. Ler, esquecer, reencontrar

            Berchtesgaden, 1899. “Digam-me onde querem chegar”

            Lavarone, 1900. O anjo da anunciação

            Roma, 1901. “Eu desenharei o primeiro tosco mapa”

            Atenas, 1904. A fé pulsional

            Rapallo, 1905. O otium e o jardim

            Zurique, 1908. “Uma empresa maior que nós”

            Salzburgo, 1908. “Uma festa intelectual e artística”

            Cervino, 1909. A ética e o desejo

O outro continente

            Nova York, 1909. O racismo e o Outro

            Worcester, 1909. Como Freud foi trazido

            Cataratas do Niágara, 1909. A psicanálise ofício “impossível”

A segunda Europa

            Palermo, 1910. “Para não despertar a inveja dos deuses”

            Nuremberg, 1910. A política da psicanálise

            Leiden, 1910. Enredos

            Weimar, 1911. A inteligência da dor

            Munique, 1913. A segunda flecha

            Montes Tatras, 1917. O sublime

            Budapeste, 1918. Que reconhecimento?

            Haia, 1920. O internacionalismo

A cidade última

            Semmering, 1924. O ocaso e o fogo

            Innscruck, 1927. Leigo é o inconsciente

            Frankfurt, 1930. “O que herdaste dos pais...”

            Estrasburgo, 1938. A fronteira e a ponte

            Londres, 1938. Audácia ainda

Bibliografia

Índice de cidades e lugares

 

 

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